junho 25, 2010

Ei!! Oi! muito tempo que não te vejo.

é… verdade, o tempo passou e às vezes as coisas somem simplesmente, você foi uma delas.

Tinha preparado isso?

Não, desculpa, não quis ser grossa, mas, sei lá, você desapareceu.

Tudo bem. Eu tenho essa sensação também… Talvez pudesse ter dito tchau, ou feito uma festa de despedida. Eu convidaria você, lógico. Mas, ao mesmo tempo queria evitar a dor da despedida, deixei um bilhete embaixo da porta e f…

Que bilhete?

É uma metáfora…

Ahh…

…e fui embora simplesmente, mas não tão simplesmente: limpei o tapete e joguei o leite que estragava na geladeira. Não se sinta mal, mas tenho um certo ódio de você.

Isso ainda é uma metáfora?

A parte do leite sim… o ódio… não.

Ódio de que? Ainda sente? Você usou presente na frase, eu vi!

Hoje não tanto, só um pouquinho. Cara você tinha uns vícios de movimento. Eles eram repetitivamente provocantes. Viu! Ai! De novo, toda hora que alguém fala de você, você pega na sua orelha e coça a perna direita logo abaixo do joelho. Cara isso é muito provocativo. Tive até problema no coração por causa disso. E você sempre… que bizarro! Sempre quando o telefone tocava você ia até ele e ficava esperando ele tocar de novo para atender! Porque não atendia logo?!

De repente a pessoa já tinha desligado…

Então… É…… Como você tá?

(…)

Agora na inocência da noite, onde todos os homens são homens, confesso a mim mesmo as estranhezas do meu dia e minhas incapacidades. Não com som de arrependimento, mas com forma contemplativa. É quase que por um certo momento vivesse em mim o super-homem, que ri da singularidade daqueles momentos acima de coerência em um diálogo, ou ainda acima do bem e do mal. Se fui justo, ou se magoei, se te feri, no fundo, no fundo, eu to tentando…. E to tranquilão. Chorando, tropeçando e caindo de cara na merda passada. Não que eu ache manero, é só de alguma forma… interessante. Mas chega a hora em que se para de ver a vida como um filme interessante só por ser sincero, e pelo cansaço vem a mudança.

Oi, tudo bem?

Oi. Você me ligando?

É… achei de bobeira o telefone aqui. E disse: “porque não?”

Ahh… claro. Com essa despretensão toda, Sr. Não-repita-movimentos-que-me-estresso?

É. Vai fazer alguma coisa hoje?

Não sei. E você?

Também não.

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