Pessoas de moicano não podem rir. Devem ser fortes, tocar bateria e fazer cara feia, não? Nunca imaginaria (na verdade, imaginar na idéia de que esteja dentro perante um estereotipo de que punk bebe e fuma), e jamais um cara de moicano rindo e chorando quando visita Nothing Hill lembrando da Julia Robert em seus belos momentos com o inglês engraçadinho, ou se deliciando frente a televisão com um sorvete Häagen-Dazs num sábado a noite, iria existir. Mas vi! “Porque diabos então moicano usa? Ainda é tempo. Feche o rosto; faça cara de mal; não mostre sentimentos, a não ser raiva, e se caso uma criança passe, nunca(!), nunca(!), fale “ahhhh… que bonitinho”. Tá entendendo? E não inventa de piercings com cores vivas. Você é mau. Muito mau. Lembre-se disso.”
Estava no bosque quando viajei na incoerência de estereótipos. Precisava comer. Comi. Comi bem, pra falar a verdade – salada. De sobremesa, pela duvida, metade de prazer via torta de maça e outra pela torta de limão. Quanto açúcar! Quanta doçura!
O boi da fazenda do meu pai, na verdade da ex-fazenda, se chamava brutamonte, dei esse nome a ele. Gostava dele apesar de sempre bufar quando eu chegava perto, era uma coisa tipo aventura juvenil na mata fechada que todo perigo é possível como João e Maria, mas sem a bruxa, que traz toda emoção pelo medo. Isso me fazia gostar dele.
Passei em frente à chapa, ou para os que preferirem: grill, enquanto filés de ex-vivos estavam sendo colocados para serem “Mal passado por favor! Bem vermelho!”, quando lembrei dos tempos que comia carne, assim como o brutamonte comia mato e provavelmente comido foi por mim algum dia desses passados. Engraçado isso. É cultura. Paradigmas. Sei lá. Sinto saudade do brutamonte, queria saber como ele está, acho que vou chorar, buáááá, buáááá. Não ria intruso! Não ria! Não ria se não te mato! Como ousa achar entretenimento meus pensamentos mais profundos sobre o brutamonte, o boi querido? Ein? Como ousa, ser pobre de alma? Como ousa?
Estava esperando um amigo se despedir, ele voltou tossindo e rindo. “Cara… comi cabelo”, ele disse. Claro que não entendi, e ele explicou: “Po… ela tava com o cabelo apontado pra frente, dei um abraço, e ele entrou no fundo da minha garganta. Deve ta todo molhado. Ela vai reparar, que nem em vai ficar com Mary, naquela cena, sabe?”. Achei engraçado. Estavamos bem alimentados. Nos diferíamos só pelo fato que ele tomou um cafezinho. Tive uma aula e voltei para casa. Estava cansado.

Ilusão

junho 24, 2009

Simplesmente apareceu em minha frente um link para um blog com o post com o seguinte título: The best optical ilusion i have seen all year. Eu completaria, falando tecnicamente, desde de sempre. Segue abaixo.

colors

Teoricamente, profundamente, detalhadamente, o espiral verde e azul são da mesma cor. Cheguei a pensar que era mais uma brinks da internet. Mas, de fato, não é.

Boa sorte.

#1

#2

#3

#4

#5

Ginsberg

junho 5, 2009

holy ginsberg

The world is holy! The soul is holy! The skin is holy!
The nose is holy! The tongue and cock and hand
and asshole holy!
Everything is holy! everybody’s holy! everywhere is
holy! everyday is in eternity! Everyman’s an
angel!
The bum’s as holy as the seraphim! the madman is
holy as you my soul are holy!
The typewriter is holy the poem is holy the voice is
holy the hearers are holy the ecstasy is holy!
Holy Peter holy Allen holy Solomon holy Lucien holy
Kerouac holy Huncke holy Burroughs holy Cas-
sady holy the unknown buggered and suffering
beggars holy the hideous human angels!
Holy my mother in the insane asylum! Holy the cocks
of the grandfathers of Kansas!
Holy the groaning saxophone! Holy the bop
apocalypse! Holy the jazzbands marijuana
hipsters peace & junk & drums!
Holy the solitudes of skyscrapers and pavements! Holy
the cafeterias filled with the millions! Holy the
mysterious rivers of tears under the streets!
Holy the lone juggernaut! Holy the vast lamb of the
middle class! Holy the crazy shepherds of rebell-
ion! Who digs Los Angeles IS Los Angeles!
Holy New York Holy San Francisco Holy Peoria &
Seattle Holy Paris Holy Tangiers Holy Moscow
Holy Istanbul!
Holy time in eternity holy eternity in time holy the
clocks in space holy the fourth dimension holy
the fifth International holy the Angel in Moloch!
Holy the sea holy the desert holy the railroad holy the
locomotive holy the visions holy the hallucina-
tions holy the miracles holy the eyeball holy the
abyss!
Holy forgiveness! mercy! charity! faith! Holy! Ours!
bodies! suffering! magnanimity!
Holy the supernatural extra brilliant intelligent
kindness of the soul!

Footnote to Howl

Aspirina e tylenol

junho 3, 2009

Sempre, caso aqui passe um avião, me jogo ao chão. Se protejam crianças! Se protejam! Tememos uma bomba. Desde que os chineses, severos na busca do desenvolvimento, chegaram à soberania militar, vivemos aqui a base do medo, quase que diário de um ataque. Nunca consegui enxergar o rumo que as coisas poderiam tomar. Tinham tantos caminhos, tantas opções, eu lembro, eu lembro, mas agora é isso. Na época tinha medo que a pós-modernidade fosse conduzir todos a uma vida artificial. Via os comerciais de aspirinas que mostravam solução para a dor de cabeça de uma mãe após um dia de trabalho exaustivo, sendo assim possível brincar com sua filhinha. E comerciais de tylenol na época já abrangiam até dores musculares. Via toda uma tendência a uma dependência da sociedade para as drogas, achava que virariamos seres artificiais. Mas, já na época não estávamos longe disso. Ficava impressionado com a incoerência em campanhas contra o alcoolismo e o tabagismo na principal emissora da televisão seguidas pela atriz mais gostosa bebendo cerveja numa mesa de bar dizendo: essa é a boa! Muita loucura. Todo mundo sentia dor de cabeça toda hora. Todo mundo sentia dor na barriga. Todo mundo estava sempre doente, gripes por todo lado, saía uma, entrava outra… Mas para que se preocupar, uma solução cartesiana para um mundo cartesiano… aspirina e tylenol para eles. E os problemas no coração? Incríveis os avanços nos transplantes, mas, perai, porque precisamos de tantos transplantes assim? Enfim, apaga-se a consequência… verificar a causa nem pensar. Mas hoje não tenho porque pensar nisso. Isso é pequeno frente ao problema que passamos. Bombas, amigo! Bombas! Prontas para explodir em frente a sua casa, caso eles decidam querer um pouco mais de petróleo. Na mesma época das aspirinas, tentávamos ser amigos, e vender mesmo que a preço de banana, barris desse óleo repugnante em troca, claro que isso tudo secretamente, por baixo dos panos, ninguém sabia, de apoio militar. Tudo se virou, ganância em um povo oriental, protetor da harmonia, é mais que incoerência. Enfim, estamos aqui. Hoje asprina e tylenol nem existem mais. Nos preocupamos em sobreviver. Espaço que reclamávamos tanto, temos de sobra; uma planície amarelada como o deserto, seca, se estende por quilômetros, acha-se até um certa beleza nesse caos. Umas poucas árvores, que incrivelmente se mantêm verdes, um verde escuro de vida, se encontram dispersas e uma delas aqui do lado da minha casa. As praias no domingo nem são mais cheias… Cresci com tanta esperança para construção de um belo futuro, mas de fato fui ausente. Teoria sem ação. Me arrependo. Desculpe-me meus filhos. Desculpe-me. Queria ter eu arrumado uma maneira de mandar do futuro uma mensagem, para que o acaso não pegue o mundo de surpresa; uma previsão feita é uma hipótese eliminada. Caos não é obvio, então jamais seguiria a previsão. Um outro caminho surgiria, ruim também, que seja, mas não tanto quanto esse, não tanto, isso aqui é o fim. É complicado. É fácil pensar em retroceder, o futuro é sempre turbulento e inseguro. Na minha situação a esperança está tão longe que soa utópico para mim tudo isso mudar. Eu cansei. Passo para frente a merda que fiz. Assim como fizeram antes de mim, mas agora não por minha culpa. Tentei segurar o caminhão, mas ele passou direto, fudeu tudo. Fui sozinho, e se fossem mais?  Sei lá, e se, e se, e se, e se, e se, e se….

teoria da viagem

maio 16, 2009

Acho que as pessoas deveriam viajar, sempre, na medida do possível. Pra mim, viajar não se resume apenas a se deslocar no espaço, mas sim perceber a terra se transformando conforme vai avançando. Você, parado em algum lugar, assistindo o mundo indo para trás. O que essa constante transformação implica nas pessoas?

Já está na hora de pegar o trem. Deixo nesse momento tudo para trás, tudo que não conquistei, tudo que me decepcionou, deixo nada. Mas sigo nesse momento “Piiiiii!!! Atenção passageiros….”. Árvores que contam os dias que passei nessa terra distante, trilhos que guiam para um novo momento, momento de recomeço, momento de…. momento de… bom não sei, mas com certeza deixo, deixo tudo, pro nada.

“tu ta tu ta tu ta tu ta”. Quase um tic tac marca minha ansiedade. Anseios que me ocupam antes da instância, passo este tempo aguardando pretencioso. Queria despretensão, queria que este vagão viajasse na velocidade da luz, não consigo aproveitar a paisagem… não consigo ao menos cortejar a bela garçonete que passa de um lado para o outro; não consigo me embebedar de amostras grátis de red label; não consigo me entupir de salgadinhos. Apesar de me ocupar com pensamentos distantes, metáforas surgem na transição do verde musgo para o abacate, marcando a chegada do trópico quente e reconfortante. Ah… que alivio: “Poderia guardar meu casaco?”.

Não duvido mais, apesar de ser de dia de praia, acho que tudo começa a superar um mergulho ou a tranquilidade restauradora de me sentar e conversar em uma tarde no dia da semana que um dia chamei de vago em uma pesquisa, por ser primo e completamente fora de contexto.

Estou sentado, aflito, sobre a ponte que corta o canal no Leblon, milhões de pensamentos me vieram a cabeça, principalmente por ter entrado em um clima melancólico após ter terminado On the Road e ainda por ter sido contemplado com um texto que reunia tudo que estava jogado na minha cabeça da longa viagem que foram esses últimos meses.

O sol lateja nas minhas costas enquanto realmente desabafo toda minha euforia que aparece no meio de conclusões tão esperadas. Os carros passam e buzinam com pressa no sinal ao lado; pessoas esbarram em mim; talvez eu cai nessa água imunda aqui, mas hoje é terça e não tenho dúvida que tudo estará certo.

Caminhei alguns quilômetros e estou sentado. Guilherme me recebe com exaltações sobre um livro do Sergei Eisenstein e de um trecho que deveria ler. Agora ele basicamente joga olhares sobre o que escrevo, o que está pesando? Não pergunta nada, não deve estar surpreso também, mas curioso, talvez achando um pouco exageradamente esnobe eu não mencionar nada, e pelo fato de rir por um motivo que ele desconhece, se mantém quieto e espiando.

Contei pra ele o que acabava de ocorrer, suas respostas são como sempre um sorriso “hihihi”. Talvez eu que me empolgue demais em um diálogo introspectivo e espere que todos sintam a mesma emoção, eu tentei descrever…

Tenho de medo de continuar escrevendo e deixar de aproveitar o sol e o vento que ainda aquecem e refrescam em perfeita combinação, mas que já se vão, e  mais uma noite de outono já começa a dar as caras, serena e gelada.

dilema

maio 11, 2009

As mulheres: “amamos os cafajestes, amamos os idiotas, amamos até aqueles que só pensam naquilo. Amamos aquele que não amam, amamos aqueles que nos abandonam, amamos aqueles que mentem, amamos aqueles dementes, amamos, amamos muito, sofremos, sofremos muito”. Os homens: “am… me amarro sempre na gostosa demais, na bonita demais, na que esnoba qualquer esforço meu de uma postura de pombo, qualquer esforço meu em malhar dois/três dias na semana, qualquer esforço meu em parecer inteligente, qualquer esforço meu de parecer gentil, me dedico ao canto de olho com ela em foco para perceber na hora, exata, da cilada que me meti”. Todos: “A culpa é delea”.

Sim! Sim! Sim!

maio 7, 2009

“Tudo foi ficando cada vez pior. Eu tinha que sustentar Camille e Amy; trabalhando o mais rápido possível como borracheiro na Firestone, recauchutando pneus recapados e depois erguendo enormes pneus de cem quilos para cima dos caminhões – só podia usar a mão boa e sempre machucava a ruim – , quebrei osso de novo tive que reengessá-lo , e agora tudo está infeccionado e inchando outra vez. Portanto, no momento, tomo conta do bebê enquanto Camille trabalho. Tá entendendo? Que porra, sou da classificação A-3; Moriarty, o aficionado do jazz, tem um dedo ferido, sua esposa lhe dá injeções diárias de penicilina, que lhe provocam eczemas porque ele é alérgico. Por isso, tem que tomar sessenta mil unidades mensais de suco de Fleming. De quatro em quatro horas, durante um mês inteiro, tem que tomar também um comprimido para combater a alergia que o remédio lhe provoca. Precisa de codeína para evitar a dor no polegar. Terá que sofrer uma cirurgia na perna por causa de um quisto inflamado. Na próxima segunda-feira terá que levantar às seis da manhã para fazer uma limpeza nos dentes. Tem que consultar um ortopedista duas vezes por semana para fazer um tratamento no pé. Deve tomar xarope contra tosse todas as noites. Tem que assoar o nariz e fungar constantemente para manter as narinas desentupidas, já que uma operação no septo nasal as enfraqueceu anos atrás. Perdeu o polegar de seu braço de arremessador. O melhor jogados do reformatório do estado do Novo México. E no entanto, no entanto, nunca me senti melhor e mais feliz em toda minha vida, adoro ver crianças maravilhoas brincando ao sol e estou satisfeitíssimo de te ver, meu esplêndido Sal, e sei, realmente sei que tudo vai dar certo. Você a verá amanhã, minha fantástica, extraordinária, linda e maravilhosa filha, que já consegue ficar de pé, sozinha, trinta segundos cada vez, pesa quase dez quilos, mede setenta centímetro. Acabo de calcular que ela é 31,25 por cento inglesa, 27,5 por cento irlandesa, 25 por cento alemã, 8,75 por cento holandesa, 7,5 por cento escocesa e 100 por cento maravilhosa.”

05.05.2009

maio 6, 2009

Mais um dia bogart de praia, toda terça é assim, parecia que não ia fazer sol, mas hoje, hoje acho que o dia veio como resultado de prece. Não que veio a me ajudar, a sustentar alguma incompetência ou dar oportunidades a um preguiçoso, prefiro dizer que ele pediu tudo que eu sei.

Tem costumado ser assim, eu peço e doou, participo, não me excluo do mundo. No meio de todo esse raciocínio sobre a profundeza de acontecimentos mínimos que só eu posso ter noção do valor, como: perguntas de um cobrador de ônibus sobre educação (dizia ele que estava em uma mudança, dizia ele que queria, queria e queria, me segurei para não retribuir com humildade toda aquela ambição, mas dele posso entender, injuriado com a vida e com um pai que o afastou dos estudos a base de “era só na base de pancada”); um garoto, que veio a mim, pedir uma fralda para seu irmão (enquanto no mesmo instante um cara era assaltado ao meu lado, sem dúvida essa foi concretamente uma doação, não digo pela fralda, mas pelo abraço); o sol apareceu e de fato enxerguei que era mesmo dia de praia.

Acabo falando sempre por dois, pra dois ou três que acabam se perdendo no fluxo, mas… continuo. O mar estava agitado, tinha placas de forte correnteza, e sol vinha a surgir. Gávea, o lugar de onde sempre vem o cinza, hoje era limpa pelo sol, que tinha sido questionado, não por mim, mas por ele que sentado ao lado estava. Antes de sentar no chão de areia, já que canga passou a ser mito “cara a gente tem que comprar uma canga” “De novo isso?”, caminhei alguns quilômetros ouvindo algo estranho acontecer no Vidigal, bem estranho por sinal, mas ali tudo já havia se acalmado.

De fato, não sei o que falo, mas achei que seria relevante vir a mostrar algo sincero sobre palavras, mostrando a falta de assunto, clichê? Depende…  Mas acredito, assim como hoje fez sol, que tenho algo interessante a dizer. Eu aqui como observador dos meus próprios fatos, e você me observando como objeto, será que devo mudar meu comportamento? Mas como ao meu lado agora, não tem ninguém vendo, posso perder o pudor e isso, que se fosse você, acharia interessante. Me incomodo demais com uma escrita fechada, dificilmente tira-se algo de interessante, talvez uma moral, talvez um sorriso, talvez uma lágrima, ou talvez te arranque um óóó… mas sei la…. it’s not funny at all.

Ahh… que dia que surgiu, apesar de deitar e não me importar com a vaidade de sair à milanesa alguns insetos me incomodaram, mas não tanto quanto um moço que soa como moça incomodou o cara da frente. Ele não agüentou, se levando e veio desabafar “Você já viu o tamanho da praia? O cara vem sentar logo do meu lado? Po, perai né…”, mereceu grandes risadas… “Que nem quando você ta no ônibus, algumas pessoas sentadas, lugares para todos, e o cara vem e senta do seu lado?!?! Po, faço cara feia, abro as pernas, ocupo todo o espaço, vê se pode!”, não parávamos de rir e concordar, até que se despediu “Boa tarde para vocês pessoal…” “Valeu.. Boa tarde!”.

A interrupção apagou minha memória, queria lembrar tudo que falavamos, sempre tem algo interessante, talvez alguma coisa sobre… uhn…. ahhh! Sim! Doideras… falávamos sobre encontros, abstraindo um pouco, como a vida se encaminha para algumas coisas, pelo menos era o que pensava… e ele o que pensas? “Guilherme o que pensas?” Bom… babou.. começou o papo sobre Deus e todo um blahblahblah que pra mim soa bem cansativo, assim como despretensão, caos, complexidade, experiência, já são assuntou que estão definidos no dicionário, definidos pelo Profeta.

Nossa… a essa hora já estávamos voltando.. uns dez quilômetros de caminhada para mim, parados na esquina um aperto de mão, queria tanto chegar em casa que fui correndo para o metrô, sorte que tinha cartão pré-pago, ia ser bem frustrante dar de cara com uma fila.

Que bom.. agora pelo menos a poucas ruas de casa estava, tudo como combinado, carrocinha de churros e milho e uma de batata fritas que para mim é nova, estava na hora do dia acabar, assim como o sol já estava indo, alguns passos; um suco; e casa.

continuando…

abril 28, 2009

Não me pergunte porque. Me apaixonei por aquela menina ali sentada. Acabou de chegar. Sempre pega a cadeira quebrada na frente do bar e cumprimenta o… esqueci o nome dele, mas ela com certeza sabe. Cara, doidera isso, to me apaixonando por pessoas que nem conheço. “Você nunca falou com ela?” (uhn….).  Fica olhando, vai chegar a amiga dela, vem gritando e saltitando, me admiro com a felicidade exaltada, mas o sorriso gentil me encanta mais. “Arrumo uma desculpa para você então, pega uma cerveja lá… e esbarra nela sem querer”. Porque faria isso? Estou saindo já, pega a cerveja lá que semana que vem continuamos a história.

Então, já falou com os olhos? “Uhn…” Então, perguntou há um tempo se eu já tinha falado com ela, mas como não especificou e não ia supor que você já estava além, apesar de sempre me surpreender, não disse. Como não disse que peguei um dinheiro “emprestado” na sua mochila… esqueci a carteira… “De novo?!” É… foi mal te entrego amanha na forma de vale refeição, to com vários lá em casa, ai você pode pedir pelo telefone uma refeição que vai brotar na sua porta em menos de quinze minutos, mas pede pro cara te trazer um contra vale, e evite comer carne… Estou começando achar isso interessante, o olhar do estrangeiro, voyer, apesar de no começo ter soado como desculpa para hesitação, mas ainda acredito que uma interpretação mais ativa seja mais válida (sabe o Sartre?), não quero cair no erro da maioria do jornalismo que consegue chamar o cara de Campelo. Isso tem uma longa história, desde o caso do Tibor, de Amsterdã, foi bizarro aquilo né? “Foi…” Estou com fome, já comeu hoje? “Já…” Um bifinho? “É…”, vamos lá e depois a gente volta.

“Vai comer o quê?” Sei lá… deixa eu ver.. Perai cara, sai da frente. Moça? Eu queria um sanduíche… “Quais complementos vai querer?” O que tem? “Cenoura, beterraba, queijo minas, queijo prato, catupiry, alface, batata palha, presunto, salsicha, pasta de grão de bico, azeite, vinagre, pimenta, ketchup, mostarda…Tem maionese ai Cláudia? Maionese, frango desfiado, pasta de atum, tomate e molho de salada”. Acho que não vou comer nada não, obrigado moça! Boa noite. “Não vai comer?” Po sei lá cara, fiquei tonto, bora voltar?

Senta ai que vou pegar a cerveja (…) “Falou com ela?”

 

óculo

abril 26, 2009

Eu desde de pequeno me deparo com expressões da minha mãe que representavam todo o dinamismo e generalidade do ponto de vista dela. Não é a toa que aprendi a viver assim. Interpreto as coisas por meio do que ela chamava de “faça uma leitura dinâmica meu filho”. Não tenho interesse em fazer uma crítica. Não acho que isso seja ruim. Na verdade eu gosto bastante disso. Mas venho aqui justificar. Racionalizar. Definir. Transpor. Transcender. Qualquer significado do meu uso de óculos.

Antes. Falo do olho. Olho pelo qual vejo de maneira especifica. Valorizando o que acho importante. Apagando o que não brilha. Seleciono. Coleciono imagens. Mas como disse. Na verdade como ela disse sigo uma leitura dinâmica (é o suficiente pra mim). Paro na cor e na forma. Detalhes mais profundos podem ser muito interessantes e quando os descubro soam como segredo que só chegam a mim pela voz de outras pessoas. Não gosto de fofoca. Chego à conclusão que meus olhos vêem exatamente o que quero ver.

Agora. Dos óculos. Vêem com a proposta de corrigir minha visão. “Você deve enxergar assim” eles dizem. Os óculos são a prova da minha total desconsideração. Preguiça. E superficialidade ao ver.

Sem eles tenho formas. Cores. Movimento. Mas detalhes não… Mas quem quer detalhes aqui? Bom… Ultimamente apesar de manter minha leitura dinâmica passei a entender os detalhes. É… até que tem seu valor. Então, me esforço para observá-los. Eles dizem muito mais. Dizem o nome de quem está na minha frente. Mas apesar de entender, sei lá… sei não….

Bom, mas o que importa é que comecei a entendê-los e passei a olhar as coisas com um pouco mais de dedicação. Agora tenho um grau a menos de miopia, repentinamente (óóóoooo!).

 

discussão no yahoo answers sobre o que mais intriga Kmila:

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060901135813AANMwCW

 

Não me venha mais com nenhuma discussão. É tudo em vão. Discutimos, e posso até falhar em mostrar meu ponto de vista, mas sempre estou certo. Às vezes me enrolo e me pega de surpresa, mas que valor tem isso?

Me enrolo porque não estou preocupado em comprovar que o que penso é verdade, eu sei que é. Então, para facilitar, assuma que o que digo é absoluto e se preocupe em procurar onde está o seu erro.

De qualquer forma, se não consegue entender o que digo agora, tenha o seu tempo, acredito que um dia entenderá. E mesmo que não entenda, o tempo trará a comprovação pela experiência, porque, falamos aqui, de suposições. Suposições no seu ponto de vista, vejo mais como…. destino.

Sou profeta, o rei dos profetas: onde não há conhecimento, sopro sabedoria; onde há desesperança, trago motivação, então, você, não duvide de mim, não seja tão arrogante assim. Minhas sabias palavras não merecem sua descrença e eu não mereço sua impetulância. Mas venho, por meio desta carta, tentar corrigir o nosso grande dilema.

Um dia irás compreender. Isso acontecerá exatamente quando passares da fase perturbadora que se encontra e acordar em um mar de clareza onde tudo fará sentido, onde eu farei sentido. No momento não há o que se fazer, reconheça minha sabedoria e ouça: hoje não sabes a verdade, e quando um dia, no dia que me referi, sua angustia desaparecer, cuidado para não se perder de novo, simplesmente por não conseguir ser humano, convivendo com o desconhecido. A minha verdade não teria tanto valor se não fosse tão arrogante, profeta rei só eu, aos outros que sejam punidos com pena de morte, ou como nos velhos tempo,  queimados em praça pública. Acredite e se limite ao seu tempo. O futuro é para os profetas.

Um beijo.

 

 

Aos momentos em que se colhia para comer.

dsc01327

momento de reflexão

abril 15, 2009

Io pregunte para papa como pudo vencer sin labor. Elo dugo que il solor es relactivo, i qui vencer no depiende. Ma elo enfatizza: “Má no siempre.. Má no siempre…”, elevando su manos en la altura de la cabana.

Pongo mi solo redemoendo la dependentia de lo labor com lo sucezzo. Di usual bandado in mi cadera, bandado de fronto para o matzo, oliando tuto que deseo vir a mis pés. Como podo conocer il solor en la camiza si no levanto-me para la conquista?

Deseo para mi quedase ser uma question de pensamento i no de atitudi. Es no físico. Es em la mente que lo labor acontece.

Entrotanto una unicima bez mi vi a calir de la teoria que tanto(!) ma tanto… gozava. Una chica e una bambina enloquecieram-me. Muy espertitas ellas. Má tutto bene. La despretension que bambeia lo veio, llhegaram a mi casa uma, una semana apos la outra, como no quiem nadie solamente: passiando sus manos no cabelo, arrumano um bielo rizzo. Ah ragattza! Chica mia! Ahora no mi quedo a ver ninguna, nin rizzo, nin cabelo. Tengo saudades daquelos momentos…

 

 

Uma idéia tão fantasiosa, mas que representa algo tão singelo quanto a essência da personalidade de um pássaro. Você tão complexo que não percebe a lógica por trás de suas atitudes, que não entende suas caretas em momentos espontâneos. De onde vieram?

Não me espanto ao te ver confuso e desligado ao falar ao telefone. Uma comunicação pura de canto. Criada dentro de você, ela não é sua, se forma de dentro para fora no oco espaço da sua garganta. Reflexo da sua fisionomia e personalidade, reflete tudo. O canto é a expressão do espírito. E por isso ao ver Chaplin em seu cinema mudo, não me espanta sua semelhança com o id: sem culpa; sem responsabilidades.

Vejamos então (Os pássaros ao nascerem carregam uma informação genética, mas que não basta para formação de seu comportamento. O canto deles é extremamente influenciado pelo ambiente. O que quero dizer é que se pegarmos uma espécie de pássaro, ainda filhote, e de alguma forma impedir que ele ouça o canto de seus pais ou de algum de seus irmãos, ele desenvolverá um som completamente diferente, completamente irreconhecível, para os outros membros da espécie. Isso acontece durante um tempo, que é conhecido como imprinting (Konrad Lorenz). Lorenz estudou esse fenômeno para patos, ele devia se divertir quando conseguia estampar na cabeça de uma ninhada que ele era o objeto a ser seguido. Ele questionava que um animal, se estudado em laboratório, teria comportamento completamente diferente do natural. Mostrou isso fazendo com que (não suficiente ele) um balão fosse o símbolo da mãe de uma ninhada. Todos seguiam o objeto marcado no imprinting mesmo depois de adultos) como uma analogia.

Que canto você tem?

 

Áaaa Áaaa.

 

Áaaa Áaaa.

 

(http://www.flickr.com/photos/36222917@N05/3348388295/

 


Mr. Bogart

março 29, 2009

Humphrey Bogart: a origem do verbo que este blog carrega em seu nome

humphrey-bogart-by-yousuf-karsh

Ser híbrido

março 25, 2009

Não sou capaz de enxergar distinção. Diferença é empecilho no diálogo do pensamento. Prendo-me aqui, a definir, o que acredito que seja carregado como conceito por uma nova geração. Geração de diálogo comum, onde mesmo com diferentes linguagens, se prevalece o pensamento.

Relembro da figura de Aristóteles, que antes de: filósofo, político, biólogo, historiador, poeta, era pensador. Pensador de uma época que ambas as áreas do conhecimento ainda se falavam.

Apesar de ter grande admiração por Isaac Newton, devo responsabilizá-lo pela o inicio da separação entre ciência e filosofia. Suas descobertas encheram de arrogância o ambiente cientifico. Começamos a sofrer um processo discriminatório do pensamento, em que a ciência via-se auto-suficiente, encharcada de razão, sobrepondo, todo, e qualquer meio abstrato de raciocínio. Tudo isso pelo triunfo. Triunfo da descoberta das leis da natureza.

Não existiam mais pensadores. Existiam dois grupos distintos: um afirmava com convicção, com bela razão; outro vinha com propostas que perturbavam o cartesianismo frio e vago. É claro que a arte não poderia contribuir diretamente para evolução cientifica. É claro que a ciência não poderia contribuir diretamente para evolução da filosofia. Mas, e indiretamente? Indiretamente por onde?

Jung fala de inconsciente coletivo, teoria abstrata da psicologia, mas que quando vista por meio de um experimento, deve ser acatada. O mundo newtoniano se manteve presente durante alguns anos, a ciência não via possibilidade de ter um novo horizonte. Mas, no início do século XX, Albert Einstein, publica a teoria que quebra o primeiro paradigma da física contemporânea. O tempo deixa de ser absoluto, o conceito de relatividade é embutido em toda aquela dureza de concreto. Uma revolução: o modernismo cientifico, que aparentemente sozinho, já vinha antecedido pelo impressionismo de Monet, Renoir, e Degas, e chegava ao Brasil, exatamente seis anos após a publicação definitiva da Teoria da Relatividade (1916). Em seqüência, agora já com a inércia quebrada, aparece a mecânica quântica, quebrando de vez o pensamento cartesiano. Da realidade ao relativo.

Falo da ciência porque foi ela que se separou, se distinguiu por meio de uma linguagem que soa bem aos olhos da definição, mas que soa precária aos sons de uma música. Pensamento é a essência, linguagem é o meio. Não deve haver separação do conhecimento. Ser híbrido.

Hoje, assim como citado em “O Fim da Certeza”, de Ilya Prigogine (ganhador do prêmio Nobel), vemos que a ciência chega a abstração: “We are observing the birth of a science that is no longer limited to idealized and simplified situations but reflects the complexity of the real world, a science that views us and our creativity as part of a fundamental trend present at all levels of nature”. E conclue, questionando a arte que sempre alertava: “How can we conceive of human creativity or ethics in a deterministic world?”.

Não questiono a matemática, mas será que o pensamento abstrato já não existia? E que pelo sentimento, como reflexo de nossas vontades, fundamentados em tanta complexidade, que torna inviável uma racionalização que desafia o campo artístico na expressão, já não seria suficiente para entender que determinismo no campo da natureza é inviável? Ser híbrido!

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