à falta de padrão

fevereiro 17, 2009

 

Geometria auto-semelhante. Permeia de certa forma o caos e a complexidade. Já me referi ao Pollock por meio dos fractais e apesar de não manter conceitos de pensamentos explícitos e achar que está ai de certa forma toda a graça, venho aqui tentar explicar de onde surge toda esse estripulia matemática no meio de uma obra de arte.

Não vou me basear em definições técnicas, todo esse assunto pode ser resumido em um sentimento. Fractal de certa forma é pra ser visto antes de tudo.

 

 

Não se precisa entender o padrão necessário para desenvolver o desenho, só observar que existe um, de fato já é grandioso. Série de repetições (infinitas) que tornam o objeto livre de escala; por exemplo: é fácil se perder em um zoom na figura de um fractal, as estruturas emergem, e como existe um padrão, por comparação, nunca saberá quanto próximo você está. Teoricamente esse zoom pode seguir até o infinito.

Já estou me perdendo, e esquecendo do que vim falar. Onde está isso no senhor Paul Jackson Pollock? Pollock iniciou seus trabalhos tentando entender suas abstrações. De maneira modesta iniciou tudo com poucos elementos (pingos, riscos…). Aos poucos Pollock, por algum motivo, encaminhou seu trabalho para um lado alto de caos. Os quadros passaram a ter muita informação. Muitos elementos que informam forma e cor: a forma de certa forma com infinitas possibilidades, mas pelas cores se tem um limite. Pode se dizer que Pollock de tanta loucura, com uma quantidade limitada de elementos, consegue provocar um padrão. Um fractal é definido pela liberdade de escala. Pegue um quadro do Pollock e de um zoom. Não digo que é igual, mas algo muito semelhante aparece. Em qualquer outro tipo de tela isso seria utópico… paisagem por exemplo, em qualquer outra coisa, essa liberdade não existe. Pollock levou a loucura em uma pintura para um nível tão próximo ao do caos.

A desordem tratada de maneira excessiva faz com que nada se relacione e, por ironia, essa falta de correlação entre os elementos, traz um padrão: a falta dele. Mas exite de fato uma idéia de estética que pode ser encontrada em qualquer parte da tela e em qualquer região que quiser delimitar. Chegando a liberdade de escala pela descorrelação. Pollock não totalmente [Um estudo publicado na Physical Review (uma das grandes revistas internacionais de publicações cientificas), consegue mostrar formalmente a progressão de Pollock em suas telas desde o inicio e explica isso.], mas muito próximo, conseguiu colocar a essência da tela em todas as partes.

Muitas coisas cercam os fractais e suas complexidades, milhões de informações ficam faltando aqui, mas o sentimento que tento deixar, vindo do abstrato da arte, supre qualquer falta de conhecimento matemático. Espero pela primeira vez não ter sido vago.

 

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