história seguida de história seguida de história….

março 5, 2009

Marcos se senta, a cadeira já tem praticamente sua forma, todo o encosto feito com madeira parece veludo e cada vértebra tem seu lugar marcado. Pernas se cruzam. O cinzeiro já está posto (diria que foi um maitre meticuloso. Maitre em um sentido clássico, digo. Fora de valor quando a experiência molda tudo com o tempo, esse é o caso do simples Batista. Ele está dentro das velhas relações que se mantêm subentendidas: aparentes velhos amigos, mas que desconhecem as agonias de cada um).

Carlos está para chegar, baseado em muitas loucuras, que de fato são relevantes, já que nos perguntam sobre os básicos conceitos da vida, quebrando bons paradigmas. Eu já estava sentado, mesmo que distante de todo clima que o ambiente promovia, só pensava em todas as discussões que iriam surgir, de certa forma encaminhada pelo álcool até um certo ponto, todos se perdem em uma hora, pelo cansaço, ou pela porcentagem excessiva no sangue. Mas enfim, essa parte é vaga. Neste momento estamos nós três, frente a frente, ligados por uma mesa. O silencio soa como ruptura de algum bom momento que poderia surgir, mas isso só acontece pela simples agonia de conhecer o que está por vir. Mas, com tempo, se chega lá.

“Ontem eu escorreguei descendo a escada” foi a deixa para tudo começar. É incrível questionar de onde podem surgir as coisas mais fascinantes em uma conversa, já que uma simples desatenção não tem nada a ver com Marx, ou Stalin. “Nada a ver”, aparentemente, porque nós achamos uma ligação. De ponto a ponto, como num processo hiperestático, nenhum trabalho é realizado, paulatinamente o assunto final emerge depois de algumas horas.

Nos deixamos levar pelo produto das três mentes daquele exato momento. Seria muito complicado dizer qual assunto seria, tudo depende da deixa. E mesmo conhecendo a deixa, a complexidade me barra de novo. Poderia relatar a historia que aconteceu, muito interessante seria, mas ultimamente tenho me preocupado com a essência dos fatos. O que tiro desse dia é o que conto. A discussão, em si, é vaga, mas provocante, não define nenhum assunto, mas cria aberturas de conceitos que viram a ser definidos em outras situações.

Acredito como todos que ali sentados estavam, que o ato de linguagem como expressão, não simplesmente limitado à necessidade básica de sobrevivência, mas como representação de algo abstrato, quase inatingível do pensamento, e ter isso compreendido, é uma experiência quase que espiritual. 

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