Ser híbrido

março 25, 2009

Não sou capaz de enxergar distinção. Diferença é empecilho no diálogo do pensamento. Prendo-me aqui, a definir, o que acredito que seja carregado como conceito por uma nova geração. Geração de diálogo comum, onde mesmo com diferentes linguagens, se prevalece o pensamento.

Relembro da figura de Aristóteles, que antes de: filósofo, político, biólogo, historiador, poeta, era pensador. Pensador de uma época que ambas as áreas do conhecimento ainda se falavam.

Apesar de ter grande admiração por Isaac Newton, devo responsabilizá-lo pela o inicio da separação entre ciência e filosofia. Suas descobertas encheram de arrogância o ambiente cientifico. Começamos a sofrer um processo discriminatório do pensamento, em que a ciência via-se auto-suficiente, encharcada de razão, sobrepondo, todo, e qualquer meio abstrato de raciocínio. Tudo isso pelo triunfo. Triunfo da descoberta das leis da natureza.

Não existiam mais pensadores. Existiam dois grupos distintos: um afirmava com convicção, com bela razão; outro vinha com propostas que perturbavam o cartesianismo frio e vago. É claro que a arte não poderia contribuir diretamente para evolução cientifica. É claro que a ciência não poderia contribuir diretamente para evolução da filosofia. Mas, e indiretamente? Indiretamente por onde?

Jung fala de inconsciente coletivo, teoria abstrata da psicologia, mas que quando vista por meio de um experimento, deve ser acatada. O mundo newtoniano se manteve presente durante alguns anos, a ciência não via possibilidade de ter um novo horizonte. Mas, no início do século XX, Albert Einstein, publica a teoria que quebra o primeiro paradigma da física contemporânea. O tempo deixa de ser absoluto, o conceito de relatividade é embutido em toda aquela dureza de concreto. Uma revolução: o modernismo cientifico, que aparentemente sozinho, já vinha antecedido pelo impressionismo de Monet, Renoir, e Degas, e chegava ao Brasil, exatamente seis anos após a publicação definitiva da Teoria da Relatividade (1916). Em seqüência, agora já com a inércia quebrada, aparece a mecânica quântica, quebrando de vez o pensamento cartesiano. Da realidade ao relativo.

Falo da ciência porque foi ela que se separou, se distinguiu por meio de uma linguagem que soa bem aos olhos da definição, mas que soa precária aos sons de uma música. Pensamento é a essência, linguagem é o meio. Não deve haver separação do conhecimento. Ser híbrido.

Hoje, assim como citado em “O Fim da Certeza”, de Ilya Prigogine (ganhador do prêmio Nobel), vemos que a ciência chega a abstração: “We are observing the birth of a science that is no longer limited to idealized and simplified situations but reflects the complexity of the real world, a science that views us and our creativity as part of a fundamental trend present at all levels of nature”. E conclue, questionando a arte que sempre alertava: “How can we conceive of human creativity or ethics in a deterministic world?”.

Não questiono a matemática, mas será que o pensamento abstrato já não existia? E que pelo sentimento, como reflexo de nossas vontades, fundamentados em tanta complexidade, que torna inviável uma racionalização que desafia o campo artístico na expressão, já não seria suficiente para entender que determinismo no campo da natureza é inviável? Ser híbrido!

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One Response to “Ser híbrido”

  1. Perla Says:

    Quem é o autor desse maravilhoso discursar despretensioso?


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