teoria da viagem

maio 16, 2009

Acho que as pessoas deveriam viajar, sempre, na medida do possível. Pra mim, viajar não se resume apenas a se deslocar no espaço, mas sim perceber a terra se transformando conforme vai avançando. Você, parado em algum lugar, assistindo o mundo indo para trás. O que essa constante transformação implica nas pessoas?

Já está na hora de pegar o trem. Deixo nesse momento tudo para trás, tudo que não conquistei, tudo que me decepcionou, deixo nada. Mas sigo nesse momento “Piiiiii!!! Atenção passageiros….”. Árvores que contam os dias que passei nessa terra distante, trilhos que guiam para um novo momento, momento de recomeço, momento de…. momento de… bom não sei, mas com certeza deixo, deixo tudo, pro nada.

“tu ta tu ta tu ta tu ta”. Quase um tic tac marca minha ansiedade. Anseios que me ocupam antes da instância, passo este tempo aguardando pretencioso. Queria despretensão, queria que este vagão viajasse na velocidade da luz, não consigo aproveitar a paisagem… não consigo ao menos cortejar a bela garçonete que passa de um lado para o outro; não consigo me embebedar de amostras grátis de red label; não consigo me entupir de salgadinhos. Apesar de me ocupar com pensamentos distantes, metáforas surgem na transição do verde musgo para o abacate, marcando a chegada do trópico quente e reconfortante. Ah… que alivio: “Poderia guardar meu casaco?”.

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