Aspirina e tylenol

junho 3, 2009

Sempre, caso aqui passe um avião, me jogo ao chão. Se protejam crianças! Se protejam! Tememos uma bomba. Desde que os chineses, severos na busca do desenvolvimento, chegaram à soberania militar, vivemos aqui a base do medo, quase que diário de um ataque. Nunca consegui enxergar o rumo que as coisas poderiam tomar. Tinham tantos caminhos, tantas opções, eu lembro, eu lembro, mas agora é isso. Na época tinha medo que a pós-modernidade fosse conduzir todos a uma vida artificial. Via os comerciais de aspirinas que mostravam solução para a dor de cabeça de uma mãe após um dia de trabalho exaustivo, sendo assim possível brincar com sua filhinha. E comerciais de tylenol na época já abrangiam até dores musculares. Via toda uma tendência a uma dependência da sociedade para as drogas, achava que virariamos seres artificiais. Mas, já na época não estávamos longe disso. Ficava impressionado com a incoerência em campanhas contra o alcoolismo e o tabagismo na principal emissora da televisão seguidas pela atriz mais gostosa bebendo cerveja numa mesa de bar dizendo: essa é a boa! Muita loucura. Todo mundo sentia dor de cabeça toda hora. Todo mundo sentia dor na barriga. Todo mundo estava sempre doente, gripes por todo lado, saía uma, entrava outra… Mas para que se preocupar, uma solução cartesiana para um mundo cartesiano… aspirina e tylenol para eles. E os problemas no coração? Incríveis os avanços nos transplantes, mas, perai, porque precisamos de tantos transplantes assim? Enfim, apaga-se a consequência… verificar a causa nem pensar. Mas hoje não tenho porque pensar nisso. Isso é pequeno frente ao problema que passamos. Bombas, amigo! Bombas! Prontas para explodir em frente a sua casa, caso eles decidam querer um pouco mais de petróleo. Na mesma época das aspirinas, tentávamos ser amigos, e vender mesmo que a preço de banana, barris desse óleo repugnante em troca, claro que isso tudo secretamente, por baixo dos panos, ninguém sabia, de apoio militar. Tudo se virou, ganância em um povo oriental, protetor da harmonia, é mais que incoerência. Enfim, estamos aqui. Hoje asprina e tylenol nem existem mais. Nos preocupamos em sobreviver. Espaço que reclamávamos tanto, temos de sobra; uma planície amarelada como o deserto, seca, se estende por quilômetros, acha-se até um certa beleza nesse caos. Umas poucas árvores, que incrivelmente se mantêm verdes, um verde escuro de vida, se encontram dispersas e uma delas aqui do lado da minha casa. As praias no domingo nem são mais cheias… Cresci com tanta esperança para construção de um belo futuro, mas de fato fui ausente. Teoria sem ação. Me arrependo. Desculpe-me meus filhos. Desculpe-me. Queria ter eu arrumado uma maneira de mandar do futuro uma mensagem, para que o acaso não pegue o mundo de surpresa; uma previsão feita é uma hipótese eliminada. Caos não é obvio, então jamais seguiria a previsão. Um outro caminho surgiria, ruim também, que seja, mas não tanto quanto esse, não tanto, isso aqui é o fim. É complicado. É fácil pensar em retroceder, o futuro é sempre turbulento e inseguro. Na minha situação a esperança está tão longe que soa utópico para mim tudo isso mudar. Eu cansei. Passo para frente a merda que fiz. Assim como fizeram antes de mim, mas agora não por minha culpa. Tentei segurar o caminhão, mas ele passou direto, fudeu tudo. Fui sozinho, e se fossem mais?  Sei lá, e se, e se, e se, e se, e se, e se….

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One Response to “Aspirina e tylenol”

  1. papacurreum Says:

    o problema não esta em sistema nenhum, em porra nenhuma a não ser em nós mesmos, se mudar, pra alguma coisa que um certo grupo de gente ache melhor, e imponha que isso seja “o melhor”, sempre vai existir gente descontente. O que importa é liberar a sua mente da escravidão mental, e viver naturalmente, em harmonia com o que te cerca… sem pensar, sem gana de conhecer… porque o conhecimento corrompe.


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