à preguiça e ao medo do cidadão-nós

julho 17, 2009

Diga-me o seu nome que digo onde moras e com quem andas. Ou melhor, não se esforce, te vejo e simplesmente sei com quem andas e que nome tens. Não é uma questão de preconceito, mas acredito que se sincero é, aparência é a clareza de sua personalidade. É uma pena se não for o que mostra…

Os vendedores de mate (aqueles que circulam na praia), apesar de terem seus gritos de guerra diferenciados sabem que: “a parada é aparecer na hora certa. Olha lá! Tá vendo?!”. Aponta ele para um outro vendedor que acabava de passar pelo mesmo trajeto em tempo diferente. “Agora é a hora! Passou de uma e meia”.

Manipulador das peculiaridades do momento, abusa da falta de precisão que a ausência de evolução temporal traz. Sabe ele que deve ser breve; que deve ser discreto. E Apesar de ser filho de vendedor de mate, e seu pai nunca entender a origem de seus atos estelionáticos, Carlos aprendeu bem o fenômeno do instante. Personalidades dispersas, atemporais, desconexas mas não incoerentes, para se ver perto de algo que preferiu não construir, mas assumir a persona teatral de toda longa lista de possibilidades do mundo cotidiano. Estelionático ele é! Fruto do coletivo apavorado! Fruto da preguiça e do medo da construção!

Carlos tem mulher e filhos! E é trabalhador bem sucedido! E assiste a si mesmo na tela que o reflete. Carlos fica contente. Carlos fica impaciente, mas não sabe porque. Carlos não deseja, mas é, o que ele quiser ser com a roupa do shopping que compra aos domingos! Prático. Simples. Carlos sorri. Carlos dança. Carlos come e bebe cerveja aos domingos com os amigos no bar da esquina. Carlos não ama, ama-se por ele. Carlos não beija, beija-se por ele. Carlos não vive, é vivido; instrumento não de luz, mas via de preguiça. Tirando o dia em que resolveu, em uma vista de família, dizer e fazer o que pensa e foi reprimido.

Assim se lembrou de sua infância quando o mesmo tinha acontecido. Carlos tinha o destino de ser professor, mas isso era coisa de mulher. Vivia ensinando aos amiguinhos a matéria da Tia Maricota, que era vaga ao discursar sobre os fenômenos da ciência ou sobre as regras gramaticais, escondido no canto da sala quando não havia ninguém. Bronca levou. Na frente da diretora sentou, junto com seu pai: “Tomarei as devidas providencias, concordo que o comportamento do Carlos é completamente inapropriado”. Carlos apanhou. Mas isso foi o de menos. Carlos atuou como concordasse no momento e até a morte de seu pai, e quando este morreu já havia esquecido do que colocava-se a fazer todos os dias. É assim que se tornou um estelionático.

Estelionático e não estelionatário, faço me claro, sim?

DSC_4181 [colchete]

por alexandre colchete

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