gastação em esquizofrenia #0.

setembro 1, 2009

Pessoas de moicano não podem rir. Devem ser fortes, tocar bateria e fazer cara feia, não? Nunca imaginaria (na verdade, imaginar na idéia de que esteja dentro perante um estereotipo de que punk bebe e fuma), e jamais um cara de moicano rindo e chorando quando visita Nothing Hill lembrando da Julia Robert em seus belos momentos com o inglês engraçadinho, ou se deliciando frente a televisão com um sorvete Häagen-Dazs num sábado a noite, iria existir. Mas vi! “Porque diabos então moicano usa? Ainda é tempo. Feche o rosto; faça cara de mal; não mostre sentimentos, a não ser raiva, e se caso uma criança passe, nunca(!), nunca(!), fale “ahhhh… que bonitinho”. Tá entendendo? E não inventa de piercings com cores vivas. Você é mau. Muito mau. Lembre-se disso.”
Estava no bosque quando viajei na incoerência de estereótipos. Precisava comer. Comi. Comi bem, pra falar a verdade – salada. De sobremesa, pela duvida, metade de prazer via torta de maça e outra pela torta de limão. Quanto açúcar! Quanta doçura!
O boi da fazenda do meu pai, na verdade da ex-fazenda, se chamava brutamonte, dei esse nome a ele. Gostava dele apesar de sempre bufar quando eu chegava perto, era uma coisa tipo aventura juvenil na mata fechada que todo perigo é possível como João e Maria, mas sem a bruxa, que traz toda emoção pelo medo. Isso me fazia gostar dele.
Passei em frente à chapa, ou para os que preferirem: grill, enquanto filés de ex-vivos estavam sendo colocados para serem “Mal passado por favor! Bem vermelho!”, quando lembrei dos tempos que comia carne, assim como o brutamonte comia mato e provavelmente comido foi por mim algum dia desses passados. Engraçado isso. É cultura. Paradigmas. Sei lá. Sinto saudade do brutamonte, queria saber como ele está, acho que vou chorar, buáááá, buáááá. Não ria intruso! Não ria! Não ria se não te mato! Como ousa achar entretenimento meus pensamentos mais profundos sobre o brutamonte, o boi querido? Ein? Como ousa, ser pobre de alma? Como ousa?
Estava esperando um amigo se despedir, ele voltou tossindo e rindo. “Cara… comi cabelo”, ele disse. Claro que não entendi, e ele explicou: “Po… ela tava com o cabelo apontado pra frente, dei um abraço, e ele entrou no fundo da minha garganta. Deve ta todo molhado. Ela vai reparar, que nem em vai ficar com Mary, naquela cena, sabe?”. Achei engraçado. Estavamos bem alimentados. Nos diferíamos só pelo fato que ele tomou um cafezinho. Tive uma aula e voltei para casa. Estava cansado.

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2 Responses to “gastação em esquizofrenia #0.”

  1. escritorescariocas Says:

    uhuhu.. o meu último post fala brevemente de boi e carne tb …rs
    mesavisceral.worpress.com é novo …eu divido com mais duas pessoas

  2. escritorescariocas Says:

    uma semana sem postar …não pode!


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