gastação em esquizofrenia #1.

setembro 8, 2009

“Pois bem, eis o caminho mestre

Sem médico, dinheiro ou bruxaria:

Retorna à vida campestre,

Cava e lavra descuidado,

Conserva-te e à tua mente,

Num círculo bem limitado,

Come da terra somente,

Animais entre animais, esterca

O campo que cultivares” (Fausto I, cena 6)

“A ‘vida simples’ não pode ser simulada e por conseguinte a existência não-problemática do homem pobre, entregue ao destino, nunca será obtida por contrafação. Só o homem que vive tal vida, não como mera possibilidade, mas por uma necessidade implícita de sua própria natureza, poderá negligenciar cegamente o problema da psique, uma vez que lhe falta a capacidade de compreendê-la.” (C.G. Jung, O eu e o inconsciente)

Separo-me a todo instante

Como a nata sobre o leite

E o maracujá que teima a flutuar quando se propõem a suco

Mesmo que falso seja

Que incapaz seja

De saber a verdade

Sigo o caminho de emancipação

A dor é grande como um filho que deixa a mãe o amou em aflição

“Vende-se de fé! Bom preço! Aceito trocas também! Precisa de fé, senhor?”, disse um homem com cartaz colocado em seu pescoço. Vendia fé em meio uma multidão. Feirantes andavam de um lado para outro. Ele vestia trapos de cores sujas e falava com tom de entusiasmo todos os anúncios. Este homem ia sempre ao mesmo local toda semana, e nunca, ninguém, se interessou.

Acho que o grande problema disso tudo sempre é a noção de passado e futuro. Passado é o que te influencia. Futuro é detalhe. Passado traz o medo. Então, Livre-se dele, mas agradeça. Sempre agradeça. Pensa no futuro… Olha como ele vai ser bonito, será que vai conseguir a casinha que quer? Será que o emprego vai ser bom? Isso… isso… fica pensando mesmo. Faz isso, perde seu tempo se preocupando com o que não existe. Perde seu tempo, enquanto o futuro não insiste e o presente passa sem você ver. Não é um questão única de viva-o-momento, sente-a-vibe, é uma questão muito mais prática que isso, de lógica simples, de causa e conseqüência, de construção, de construção discreta progressiva e não a frente de seu tempo relativistico, que pelo estudo da complexidade entende-se que um ponto da origem a campos de destino e para cada ponto existe um campo, se este ponto que falo é o presente, escolha o presente e tenha o futuro, mas lembre que é incerto. O fim da certeza já foi postulado e não me venha com previsões, e se as fizer seja claro que elas não definem absolutamente nada. A ciência já quebrou cara, uma, duas, três vezes e vai continuar quebrando, mas agora que já se sabe, não leve a vida tão a sério, pelo menos isso.

Oi! Vou fazer umas confissões, hihihihi. Pode? Então tá. Eu adoro falar dos meus problemas =]. Não sei muito bem porque =0. Eu sempre falo. Olha, ontem eu ta indo pro trabalho e ageladeira quebrou bem na hora, tive que levar pra consertar, me atrasei toda, meu chefe veio brigar comigo… hihhihih olha eu de novo, perdão, sim? Mas é uma questão de eu ter capacidade de lidar com esses desafios que a vida traz, sabe? Eu até peço pra acontecer alguma coisa cabulosa, sei lá, uma chuva forte que destrói toda a casa e posso contar pra todo mundo como consegui contornar o problema, mas perai, chuva forte que destrói a casa é meio tenso, algo mais sutil que seja fácil, mas que pareça grande, hihihihihi. Quando tem alguém junto, sempre gosta de disputar comigo, eu falo e ele fala, cada um com um absurdo fantasiado maior que o outro, chamo isso de pique-ego. Sempre brinco, mas quando to cansada fico de altos.

“A segunda possibilidade seria a identificação com o inconsciente coletivo. Isto equivaleria a aceitar a inflação, exaltada agora como sistema. Em outras palavras, o indivíduo poderia ser o feliz proprietário da grande verdade que o aguardava para ser descoberta, o senhor do conhecimento escatológico para a salvação das nações. Tal atitude não implica necessariamente a megalomania em sua forma direta, mas sim na forma atenuada e mais conhecida do reformador, dos profetas e mártires. As mentes fracas correm o risco de sucumbir a esta tentação, uma vez que geralmente se caracterizam por uma boa dose de ambição, amor-próprio e ingenuidade descabida. Abrir a passagem da psique coletiva significa uma renovação de vida para o indivíduo, quer seja agradável ou desagradável (…) A identificação parece ser o caminho mais curto, pois a dissolução da persona na psique coletiva é um convite direto para as bodas do abismo, apagando-se toda a memória nesse abraço. Este traço de misticismo é característico dos melhores indivíduos e é tão inato em cada qual como a “nostalgia da mãe”, nostalgia da fonte qual proviemos.” (C.G. Jung, O eu e o inconsciente)

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One Response to “gastação em esquizofrenia #1.”

  1. cafeinada Says:

    ‘este movimento de vaivém entre o passado e o presente é, aliás, particularmente estimulante num tempo como o atual − na intensidade e na vertigem dos seus processos de mudança, no desdobrar inédito, em escala planetária, das suas geografias − por uma relação, ao mesmo
    tempo conflitual e de complementaridade, entre nostalgia e imaginação’


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