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outubro 11, 2009

Já fingi várias vezes ter a resposta. Ela se torna vulgar e ninguém hesita em ajudar.

Me aproximei de uma das prateleiras que tinham todas as frutas que precisava, não sei se tem estação para dar, mas sempre estão lá,  normalmente pego as envelopadas para não ter erro, mas já estava ficando ridículo. Ao me aproximar, praticamente cientistas examinavam os elementos frutíferos por métodos que mantinham a integridade, mas ao mesmo tempo obtinham com toda a sagacidade: se a manga já estava boa ou se o abacate precisava ser envolvido em jornal por alguns dias. Cacoete de manipulação: fingi ser mais um experiente. Apertei, cheirei, joguei pro alto. “Opa parece que você achou uma boa, né?”. Pronto está aí a resposta, sem dor ou conhecimento.

Já se vão horas perdidas em dilemas ansiosos, pensando feito gago apressado. Livros de páginas abertas e rascunhos repetidos em padrões dispersos em folhas jogadas pelos cantos do quarto que já não é arrumado há dias. Minhas canetas já sabem o que vou dizer, tudo aquilo que sei, que não termina e espera; espera aparecer algo de novo para fechar todo o raciocínio. Espero que caia do céu, porque os livros nem foram lidos, e os rascunhos, como disse, não vão a lugar algum. Pensando nas frutas, talvez a solução seja fingir e parar de me preocupar.

Senhor Fredericksen a gente pode fazer compras hoje? Ein? A gente pode?Não queria comprar bananas, mas a minha mãe disse que me fazem ficar forte e assim posso ir para escola sem ter me preocupar com os meninos da quinta série. Você gosta de bananas Senhor Fredericksen? Ou prefere maçãs?Eu prefiro as maçãs. Elas me lembram os dias que ia para festa junina e comia maçã do amor com meu pai. Essas aqui não tem açúcar não, mas são boas também. O senhor gosta de festas? Ein, Senhor Fredericksen? Gosta de brincar de jogar bolas na boca do palhaço?

Não, Russel!

A idéia de não ter preocupações é retrograda, já foi-se o tempo, o mundo é muito complicado e não vou perder meu tempo com certas baboseiras que nem ao menos se sustentam com argumentos frouxos. Podiam elas fingir com certas palavras rebuscadas, que fazem uma narrativa bonita, ou um pensamento inteligente. Mas não. Ficam lá. Relapsas.

Alegórico como toda prosa rodeada de adjetivos bonitos, intrínsecos de um grupo que pela robustez enxerga beleza, argumentos são a chave para a lógica do fingimento. Fingimento não pode ser uma boa palavra para descrever um bom pensamento, é feia, soa feia, nem ao menos faz a única referência popular que poderia fazer do poema do poeta que fingidor (seria melhor citar o autor? Ou não). Logo, argumento não seria para validar algo genuíno que parece ou que pode realmente ser verdade.

Complicando o texto em frases longas que tiram o ar de qualquer nadador mesmo sem vocábulos bonitos mas com pontuação ausente pode-se fingir autentico. Pode-se fingir inteligente. Ou qualquer outra coisa que caiba aqui ou que venha de sua crítica auto-reflexiva sobre o que acho ou que tenho ou que realmente sei sobre o que estou falando. Se perde ai! E julgue sem pudor, que sei que não tem depois de ter feito tudo que fez, e de maneira suja questione a verdade que é imposta em metalinguagem escrachada e não me venha com desaforos sem sentido como perdi meu tempo, ou algo assim. Vai toma no meio do seu cú! ta bom?! Que os mares quentes corram pelos corredores de sua casa!

No final das contas nunca se sabe. Simplesmente tenha fé. E acredite que disse tudo aquilo que precisavas ouvir, e não se esqueça: duas folhas de jornal e enrole bem e deixe descansar por dois dias em lugar fresco longe do sol.

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