deicaimento beta

outubro 11, 2009

Não tem conteúdo mesmo. Não leia para falar a verdade. Falo isso, mas no próximo parágrafo vou entrar em contradição. Então, não espere coerência ou coesão. Estou sendo posto em moldura e vai, vou repetir e resmungar o problema de apropriação indébita de assuntos consideravelmente vagos, provavelmente não muito diferentes dos seus papos desinteressantes sobre como foi seu dia na faculdade ou os problemas que tem passado para pagar o aluguel. Tudo isso é extremamente sem sentido, não me interessa ouvir de absolutamente ninguém. Não me interessa saber se sua mãe morreu, ou se sofre por um amor perdido. Não me interessa nada disso. Não me interessa nem saber suas conquistas, muito menos seus fracassos. Me interesso unicamente por você, isso tudo é desnecessário, e de fato não me importo.

Gosto do jeito que fala das flores. Gosto do jeito que afina a voz quando reclama sobre alguma coisa sem sentido. Gosto do jeito que critica de forma claramente exagerada as idéias dos outros. Gosto do jeito que arruma os cabelos. Gosto do jeito que tira as folhas secas do telhado. E do jeito que imita a tartaruga ao comer alface. Mas as flores, as coisas, as idéias, o cabelo, o telhado e a alface que se explodam!

São coisas, coisas são desnecessárias e completamente superficiais no campo onde a essência é o que se enxerga e não precisa de linguagem pra ser veiculada mesmo que seu rosto seja bonito – isso é só consequência. Entendo a necessidade do corpo para a condensação da alma, mas no fundo no fundo é só a casca do pistache.

Eu até gosto da casca do pistache. Minha mãe comprava pistache sempre aos domingo quando a família repousava vendo fantástico e conversando até a madrugada. Hoje, não mais. Não há família e passo o tempo todo correndo atrás de bicos para pagar o condômino do apartamento, e o pouco que sobra serve para comprar alguma comida. E normalmente esses trabalhos são complicados. As pessoas que contratam são arrogantes e esperam algo de você que elas não dizem e retribuem a minha falta de capacidade com chamativos nada dignos e um desconto no salário no fim do dia.

Acho que vou para o mato, para o interior de minas gerais plantar. E o único problema será a indecisão entre couve ou beterraba. Nada me prende aqui. Tudo que procuro já achei. Inclusive você que tanto gosto, confesso: pode ficar, não preciso também. Levo roupa para não ser preso e água. Não preciso de ninguém. Nem nada. Só da terra que me faz viver.

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