junho 1, 2010

Hoje me mantive calmo. Tudo correu bem. Coisas novas estão surgindo. E não falo de nada substancial, como um novo apartamento, melhor que este, longe do barulho dos carros e das confusões familiares; seria bem melhor: larguei minha casa, inúmeros amigos porque falavam demais e estou aqui, em um prédio sem número no centro da cidade. Falo na verdade de coisas extremamente vagas. Como a mudança do cobrador. Um livro que cai em cima da mesa. E… sei lá, o fato de agora preferir meias pretas. Não fui sincero ao me referir a estes acontecimentos como vagos, simplesmente não quero explicar e nem me interessa a proposta de tentar expressá-los como um poeta faria, seria um fracasso além de tudo. A história é realmente longa, ou melhor… ; posso falar realmente em uma linha que não teria nenhum valor (ou realmente não tem). Prefiro deixar assim, aquele ar escroto de mistério que os roteiristas usam em dramas terminados repletos de angustia, e seguem visto dualisticamente como uma história mágica repleta de significados complexos indo de geometria diferencial a antigos escritos de nômades esquimós e, também, simplesmente, como um drama mal terminado.

No meio dessa historia existe outra, muito parecida. Eu, hoje, entendo tudo, e tenho certeza disso. Mas não saberia explicar. Essa é a história. E só!

Tem outra também. Que te amo. Mas não sei mostrar. E essa é a história. E só! E só!

Eu tenho medo de falar demais. Já passei por todos os níveis possíveis de transição de consciência. Já experimentei a loucura, a certeza, e tudo no meio, e inclusive a falta de todas elas. Eu tenho medo de dizer pouco também. Seria o limite de coerência de exposição, mas mais que isso, certas coisa não fazem sentido serem expostas mesmo que viva dentro do peito uma enorme força de gritar: eu te amo; eu guardo meu amor comigo e morrerei com ele verdadeiro, e talvez sinta pena se ninguém o tiver conhecido. Sentirei pena se pensar que não entendo, e claro se achar que não te amo por não falar.

Mas acredito que assim tem que ser. Acredito na beleza coerente num mapeamento conforme entre mente e fisicalidade nas devidas limitações e aceitação de suas transformações como as vozes dos sofistas são as dos deuses.

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3 Responses to “”

  1. cafeína Says:

    E mais o fato de combinar as meias pretas ao tênis branco e a bermuda de calça jeans cortada…


  2. o vocabulário técnico é sempre delicioso: mapeamento conforme

  3. alcolchete Says:

    tá escrevendo bem hein, safadão


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