11.1.2011

janeiro 11, 2011

Estava deitando: preciso agora descansar as costas fracas de homem que do corpo pede a mão e o mínimo de esforço das pernas para entrar na escada rolante; encostei a cabeça sobre a areia fofa e que ainda se reservava fresca sob o guarda sol. Como dia estava bonito! E a cidade mais incrível do que nunca! tinha movimento. os turistas já estavam chegando com suas câmeras e suas sandálias fotografando cada metro quadrado da cidade, que aos meus olhos continuava fria e vazia. Meus pés neste momento, fora do alcance da barraca, queimavam feito queijo coalho, não me importei. Estava observando que agora recebia todo o som da praia. Ressoado na cúpula vinha a meus ouvidos como naqueles protótipos instalados nos museus onde duas crianças em extremos do espaço gritam de dentro de uma superfície parabólica: aloooo; e a outra recebe tudo, absolutamente tudo, focado na sua testa que vibra junto com a felicidade de ter escutado sua melhor amiga. Minha mente vibra também e pulo de alegria.

Distante um metro e meio, ou um pouco mais, um casal provavelmente de estrangeiros discutia a personalidade, e investigava o inconsciente das pessoas que passavam. “A praia é extremamente rica…” dizia o homem, que chamarei de Albert. Referia-se ele, a substância, antropológica, sociológica, étnica, ou até como mesmo mencionou: “os valores individuais do ser humano…”. Sua mulher (chamaremos ela de Jenny. Jenny é bom nome para uma senhora texana), Jenny, tinha voz suave mas um pouco rouca. Deveria ser mais um casal típico dos estados unidos: o cara gordo usando uma camisa xadrez com cinza e azul marinho, provavelmente com a escrita pequena sobre o peito de um nome de uma empresa de petróleo; a mulher, cabelos loiros encaracolados, bem cheios, e ressecados pelo sol do amado texas. Albert deveria dizer ao acordar vendo sua bandeira dos estados unidos da américa: “Ahhh estados unidos, agradeço a tudo que me deu neste estado maravilhoso” imaginou… mas disse: “Querida, os waffles estão prontos?”; sempre com muito amor e ingenuidade de um cego americano.

estive no texas uma vez. era novo. o hotel era extremamente… estranho. muito esquisito, apesar de um lustre enorme de cristal na entrada e um lago com plantas. acho que foi caro inclusive. Não existe nada no texas. Andei muito nas calçadas e não via ninguém.

Começaram pelo vendedor de salgados árabes: esfirras de queijo, espinafre, acelga; quibes de carne, requeijão; sempre dizendo “Mustafá. Mustafaaaaá. Olha o salgado do Mustafá…”.

“Querida, você acha que ele foi fundamental na expansão do império otomano para américa ocidental?”, disse Albert.

“Quem Albert?”. Jenny fez uma pausa na leitura da sua revista.

“O Mustafá!”.

“Claro! Claro, Albert!”.

Jenny tinha aprendido a gostar de Kara Mustafá, desde de que soube, que ao ser derrotado e punido com a morte por enforcamento, as ultimas palavras de Kara Mustafá foram: “Esteja certo que você amarrou corretamente o nó.”

Foi um momento incrível as horas que se sucederam. Queria ter conhecido Albert e Jenny McCoy. Queria ter jantado com eles pelo menos. Queria tantas coisas. Mas o mundo é duro e o que pesa é a vida que toca.

O sonho morreu, o fracasso surge da terra germinando lentamente enquanto se sente magoa e tristeza. Em muitas vezes conquistei a idéia de amar o sofrimento tanto quanto o próprio amor, mas acho que isso se passa ou no nirvana ou quando simplesmente se está pouco se fudendo. Na minha vida aconteciam algumas coisas: namoro, casa, família; nada que ninguém nunca tenha visto ou sentido mas que continuam complicadas para todos desde de sempre. Temos carros, máquinas que voam, mas sofremos pelas mesmas coisas… em termos de desenvolvimento humano.. não vejo muito progresso. E pra mim, isso não é bom.

Chorei muito sem saber exatamente porquê. Nada faz sentido agora.

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