coé

novembro 9, 2009

44822651

Anúncios

02.11.2009

novembro 3, 2009

Sabe que falta um laço no portão? É Pra dizer que o passado foi bom e que o tapete é novo.

Muito bom estar em casa, mas é complicado quando não se acha nem o sal. É estranho principalmente o começo onde as paredes são cruas, sem marcas. As velhas eram manchadas pelos dedos pretos dos pés que descansavam enquanto pensava sobre alguma coisa singela, como alguma composição, ou em simplesmente nada.

Hoje preciso de um tempo.

De um tempo para dar o que me foi útil um dia e passar isso adiante a quem agora

Precisa de um tempo para pensar ou é exatamente a dor da despedida?

Preciso de um tempo.

deicaimento beta

outubro 11, 2009

Não tem conteúdo mesmo. Não leia para falar a verdade. Falo isso, mas no próximo parágrafo vou entrar em contradição. Então, não espere coerência ou coesão. Estou sendo posto em moldura e vai, vou repetir e resmungar o problema de apropriação indébita de assuntos consideravelmente vagos, provavelmente não muito diferentes dos seus papos desinteressantes sobre como foi seu dia na faculdade ou os problemas que tem passado para pagar o aluguel. Tudo isso é extremamente sem sentido, não me interessa ouvir de absolutamente ninguém. Não me interessa saber se sua mãe morreu, ou se sofre por um amor perdido. Não me interessa nada disso. Não me interessa nem saber suas conquistas, muito menos seus fracassos. Me interesso unicamente por você, isso tudo é desnecessário, e de fato não me importo.

Gosto do jeito que fala das flores. Gosto do jeito que afina a voz quando reclama sobre alguma coisa sem sentido. Gosto do jeito que critica de forma claramente exagerada as idéias dos outros. Gosto do jeito que arruma os cabelos. Gosto do jeito que tira as folhas secas do telhado. E do jeito que imita a tartaruga ao comer alface. Mas as flores, as coisas, as idéias, o cabelo, o telhado e a alface que se explodam!

São coisas, coisas são desnecessárias e completamente superficiais no campo onde a essência é o que se enxerga e não precisa de linguagem pra ser veiculada mesmo que seu rosto seja bonito – isso é só consequência. Entendo a necessidade do corpo para a condensação da alma, mas no fundo no fundo é só a casca do pistache.

Eu até gosto da casca do pistache. Minha mãe comprava pistache sempre aos domingo quando a família repousava vendo fantástico e conversando até a madrugada. Hoje, não mais. Não há família e passo o tempo todo correndo atrás de bicos para pagar o condômino do apartamento, e o pouco que sobra serve para comprar alguma comida. E normalmente esses trabalhos são complicados. As pessoas que contratam são arrogantes e esperam algo de você que elas não dizem e retribuem a minha falta de capacidade com chamativos nada dignos e um desconto no salário no fim do dia.

Acho que vou para o mato, para o interior de minas gerais plantar. E o único problema será a indecisão entre couve ou beterraba. Nada me prende aqui. Tudo que procuro já achei. Inclusive você que tanto gosto, confesso: pode ficar, não preciso também. Levo roupa para não ser preso e água. Não preciso de ninguém. Nem nada. Só da terra que me faz viver.

cookies

outubro 11, 2009

Já fingi várias vezes ter a resposta. Ela se torna vulgar e ninguém hesita em ajudar.

Me aproximei de uma das prateleiras que tinham todas as frutas que precisava, não sei se tem estação para dar, mas sempre estão lá,  normalmente pego as envelopadas para não ter erro, mas já estava ficando ridículo. Ao me aproximar, praticamente cientistas examinavam os elementos frutíferos por métodos que mantinham a integridade, mas ao mesmo tempo obtinham com toda a sagacidade: se a manga já estava boa ou se o abacate precisava ser envolvido em jornal por alguns dias. Cacoete de manipulação: fingi ser mais um experiente. Apertei, cheirei, joguei pro alto. “Opa parece que você achou uma boa, né?”. Pronto está aí a resposta, sem dor ou conhecimento.

Já se vão horas perdidas em dilemas ansiosos, pensando feito gago apressado. Livros de páginas abertas e rascunhos repetidos em padrões dispersos em folhas jogadas pelos cantos do quarto que já não é arrumado há dias. Minhas canetas já sabem o que vou dizer, tudo aquilo que sei, que não termina e espera; espera aparecer algo de novo para fechar todo o raciocínio. Espero que caia do céu, porque os livros nem foram lidos, e os rascunhos, como disse, não vão a lugar algum. Pensando nas frutas, talvez a solução seja fingir e parar de me preocupar.

Senhor Fredericksen a gente pode fazer compras hoje? Ein? A gente pode?Não queria comprar bananas, mas a minha mãe disse que me fazem ficar forte e assim posso ir para escola sem ter me preocupar com os meninos da quinta série. Você gosta de bananas Senhor Fredericksen? Ou prefere maçãs?Eu prefiro as maçãs. Elas me lembram os dias que ia para festa junina e comia maçã do amor com meu pai. Essas aqui não tem açúcar não, mas são boas também. O senhor gosta de festas? Ein, Senhor Fredericksen? Gosta de brincar de jogar bolas na boca do palhaço?

Não, Russel!

A idéia de não ter preocupações é retrograda, já foi-se o tempo, o mundo é muito complicado e não vou perder meu tempo com certas baboseiras que nem ao menos se sustentam com argumentos frouxos. Podiam elas fingir com certas palavras rebuscadas, que fazem uma narrativa bonita, ou um pensamento inteligente. Mas não. Ficam lá. Relapsas.

Alegórico como toda prosa rodeada de adjetivos bonitos, intrínsecos de um grupo que pela robustez enxerga beleza, argumentos são a chave para a lógica do fingimento. Fingimento não pode ser uma boa palavra para descrever um bom pensamento, é feia, soa feia, nem ao menos faz a única referência popular que poderia fazer do poema do poeta que fingidor (seria melhor citar o autor? Ou não). Logo, argumento não seria para validar algo genuíno que parece ou que pode realmente ser verdade.

Complicando o texto em frases longas que tiram o ar de qualquer nadador mesmo sem vocábulos bonitos mas com pontuação ausente pode-se fingir autentico. Pode-se fingir inteligente. Ou qualquer outra coisa que caiba aqui ou que venha de sua crítica auto-reflexiva sobre o que acho ou que tenho ou que realmente sei sobre o que estou falando. Se perde ai! E julgue sem pudor, que sei que não tem depois de ter feito tudo que fez, e de maneira suja questione a verdade que é imposta em metalinguagem escrachada e não me venha com desaforos sem sentido como perdi meu tempo, ou algo assim. Vai toma no meio do seu cú! ta bom?! Que os mares quentes corram pelos corredores de sua casa!

No final das contas nunca se sabe. Simplesmente tenha fé. E acredite que disse tudo aquilo que precisavas ouvir, e não se esqueça: duas folhas de jornal e enrole bem e deixe descansar por dois dias em lugar fresco longe do sol.

não compelido

outubro 3, 2009

O Velho

“dirigida contra aqueles que estão determinados, por estupidez ou por desígnio, a fazer explodir o planeta ou torná-lo inabitável. Como o pessoal da publicidade (…) estou interessado na precisa manipulação da palavra e da imagem para criar uma ação, não a de sair para comprar uma Coca-Cola, mas a de criar uma mudança na consciência do leitor”.

William Seward Burroughs, sintetizando sua obra

02.10.2009

outubro 2, 2009

Eu acho que já extrapolei. Escancarei todo o processo que até pra mim começa a ficar perdido. Não sei até que ponto isso vai. Tenho pensado em algumas coisas. “Tenho pensado”, meio dramático assim mesmo. Bem infantil mesmo. Como quando se aprende algo novo e demora um tempo para tudo se arranjar. Como quando uma solução recebe um novo composto e precisa de tempo para se mostrar. Como quando um sistema perturbado percorre todo um caminho tortuoso de desarranjo aparente que no final acaba concluindo em organização latente. Não vim dizer absolutamente nada em específico, mas agora a pouco estava vendo televisão, na verdade ainda vejo, ligada, porque ainda resiste em meu quarto não sei muito bem porque. Tinha que comentar isso com alguém, fofoca mesmo, de high school (não tinha nenhuma best friend para falar). Cara, vocês tem que assistir Brazil´s next top model. É sério, não queria contar todo o show que acontece; não diga nada como que perda de tempo; ou ainda suponha que seja ironia minha; falo sério mesmo. É muito engraçado. Preste atenção: varias modelos; em uma casa; discussões sobre cabelo e maneiras de andar na passarela; de repente; um professor, repito, um professor, vem de salto…; no júri um cara completamente esquisito que me lembra às vezes misturas que vagam entre Saddam Hussein, o Vega do street fighter e uma cigana cheia de jóias, incluindo aquelas argolas gigantes que encostam no ombro e pulseiras em forma de corrente: o nome dele é dudu-muso. É muito conteúdo pra se perder, pra ir e pirar em analises filosóficas, antropólogas, etc… Transexuais, ou algo assim; gays, consumismo, beleza, estética. Mas nesses dias vim pensando, na verdade continuei pensando. Sabe quando se entra em retiro espiritual? Quase isso. A vida é um drama italiano de muitos gestos, muitas lágrimas, e muitos tapas, mas que pode ser convertida em comédia romântica a custo de hipertrofias na região das válvulas tricúspide ou mitral. Um bom ator sabe buscar a essência de seu personagem no fundo da piscina de bolinhas, que esconde, além de tesouros açucarados, toda a trama que é clara e intuitiva. Pergunte-se ator que personagem de fato és. Não aquele que tenta, nem aquele que parece frente aos outros, nem aquele que sonha ser. Pergunte o que quiser saber sobre você, ou o que quiser conhecer sobre os arquivos acásicos; basicamente sabe-se de tudo, tenho certeza, mas precisamos lembrar. Memória registrada do suor que pinga no chão e marca sua posição, mas, que ao mesmo tempo, efêmero, decola e se dispersa, como uma simples molécula de água, como uma simples composição que pode ser perdida no número de Avogadro que já vai pra mais de qualquer valor que possa ser escrito por extenso. O mundo sente a vibração do som e da cor. Uma pedra por mais impertinente que possa parecer no meio do caminho, sente e marca, aquilo por onde passa. E eu quando escolho frente a várias em um rio, pela sua forma pela sua cor, e acho ela bonita, após um, dois, três dedos, e a mão, passo por tudo aquilo que passou. Procuro a certo tempo uma história, que seja argumento bonito, ou tela suficiente para ser coberta de tinta e palco para algo que é claro e não precisa de voltas e voltas para ser dito. Acho que consegui. Mas talvez use de algumas pessoas às vezes ou de alguma coisa que esteja passando na televisão como uma mancha para quebrar o gelo entre nosso encontro romântico. Mas isso é só o começo. Acho que chegaremos um dia que roupas ficarão unicamente no cabide; que você não terá vergonha de ir ao banheiro comigo escovando os dentes; e eu estarei te esperando com chapéu de papai Noel com um grande sorriso sem hesitar em dizer que te amo.