übereinstimmen

dezembro 5, 2008

“Aconteça o que acontecer, continuam vendendo cigarros. As ruas continuam sendo o chão, a despeito de toda crise mundial. Os carros continuam rodando, os juros, os giros, os expedientes. A despeito de todos os prognósticos pessimistas. A despeito de toda miséria, de toda indiferença, de toda dor. De todas as dívidas catastróficas. De toda crise energética e de todos os destroços morais de nossa civilização. Suposta.

A despeito de toda hipocrisia reinante os anunciantes continuam anunciando, a despeito de toda doença do desejo os publicitários continuam esmerando-se para convencer você a precisar de algo. A despeito de você. A despeito do teu recalque. O sol nasce e morre e a caravana gira. A despeito de tudo isso continuam vendendo cigarros. A despeito de todos os avanços tecnológicos o planeta continua se esvaindo. Toda crise existe a despeito do passar. Seres zumbis. Almas desnecessárias aos mercados. Poesia inexistente, imprudente, indevida. A despeito de toda fuga o homem continua chegando ao seu umbigo e dormindo quietinho. A depressão galopa nos ombros das esquinas e eu me incluo dentro. A despeito disso tudo. Ser.

Quero não ter planos.”


escafandro

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