Extrapolo a sabedoria de uma criança. Capacidade incrível de pensar livre de conceitos. Questiono até que ponto o estudo e desenvolvimento técnico podem trazer benefícios.

Tendo em vista que existe a necessidade, clara, de um veículo de transporte da informação, um molde aplicado ao conteúdo é inevitável. Ponho-me a pensar então que toda a busca pelo conhecimento trás consigo uma incapacidade de fugir de algum tipo de padrão ou desenvolvimento de algo único e original. Com certeza estou errado, mas tenho uma grande tendência em acreditar que a loucura trás a mais sensível expressão de uma essência. Com isso me perco, e a crença na experiência se vai.

A carreira de loucura é insegura por navegar-se no desconhecido e sustentar uma certa arrogância perante a experiência, que pode se ver frustrada quando um louco atinge tão facilmente algo que necessitou de anos. Transcende o tempo e o espaço, mas trás consigo um grande peso de responsabilidade que permeia a “cagada”, seja ela boa ou positiva.

Tudo se torna palpável quando se desenvolve a consciência da loucura. Esta se torna um grande objeto de estudo, exigindo, no lugar do esforço, a humildade de reconhecer algo volátil. O grande problema é que longe do suor, a conclusão de um belo trabalho não sustenta o orgulho, e o reconhecimento por parte do autor, ou da sociedade (quando tem consciência) pode ser prejudicado. O acaso pode surgir como justificativa em uma tarefa bem sucedida – cagada, e o no fracasso se tem o desprezo. O louco é de fato um poço de humildade. Sem grande reconhecimento, prossegue corajoso.

“Eu tenho um amigo imaginário” foi a frase que ouvi do meu afilhado, que parece brincar e manipular a existência de um mundo que supera qualquer tipo verificação ou prova. Perguntas como “Quem é?” ou “Onde ele tá?” se tornam vagas, mas ele sempre responde de alguma maneira, porque sabe que se a prova de algo que ele acredita não existe, louco é. Ele tem consciência.

Um limiar sutil entre loucura e razão é algo que a infância promove. Rezei vários anos para me tornar “grande”, de fato foi bom, mas agora vou ser criança de novo. Com tanta certeza afirmo, já que de loucura não se duvida, se vive, e de louco eu tenho um pouco.