meu caro amigo,

novembro 1, 2008

Tão angustiante é quando tenho algo pra contar e não sei como dizer de modo que isso te entretenha. Não vens em busca do que penso ou do que tenho a dizer sobre um assunto, procuras algo que te faça confortável, estar na sua cadeira. Digo coisas que exclusivamente me interessam, bem egoísta assim mesmo, mas entendo sua opção de escolha, deveria também entender a minha.

Pensei em começar dizendo algo como: A natureza representa exatamente o que somos. E parei ai. Mas pensei o que você iria entender sobre ela. Canso-me só de pensar em escrever sobre esse assunto, existem muitas coisas vinculadas, e um pouco de redundância que de certa forma você deve ter menosprezado. Queria tanto te chamar de burro, isso resolveria meu problema, mas se eu que quero dizer, eu sou responsável, certo? Por isso eu falho agora.

Por mim teria escrito este texto de qualquer forma. “Teria”, porque o corretor ortográfico do Word já me força um padrão. Poderia ter escrito no próprio editor do wordpress, mas caso algum erro ortográfico passasse, seria fatal, não?

Entendo que de certa forma que minhas letras representam a qualidade da informação que passo, mas não ligo. Mas sei que você liga, por isso me esforço pra te agradar.

A natureza representa exatamente o que somos, porque somos ela. Nossa sociedade moderna é simplesmente uma forma análoga, da antiga floresta que aqui existia. Nosso amigo capitalismo não passa da teoria da seleção natural do Sr. Darwin.  Macacos, ainda somos. Dance macaco, dance. Dance até que todo paradigma de sua atitude termine, que todos padrões estabelecidos sejam reavaliados.

Em uma experiência com macacos, foram colocados cinco deles em uma gaiola. No teto eram expostas lindas bananas, que podiam ser alcançadas por meio de uma escada. A metodologia começa quando um animal tenta pegar uma das bananas, nesse instante todos os outros são atingidos por um forte jato de água. Com o passar do tempo, quando um deles voltava a tentar pegar uma banana, os outros sentavam a pau nele. Ninguém queria ficar molhado, claro.

A situação fica realmente interessante, quando os macacos são substituídos aos poucos, um por um, depois de um certo tempo. Quando um novo macaco ingressa no grupo, assim que ele tenta pegar a banana, os outros batem nele. Mas ele não sabe bem o motivo do espancamento. Quando a segunda substituição acontece, e este novo macaco tenta, inocentemente, agarra uma das bananas, todos, como de costume, batem nele, inclusive o primeiro novato. Ao final do experimento, encontram-se 5 macacos, que NUNCA viram o jato de água, se batendo na gaiola quando algum deles tenta comer. Paradigma. “Sempre foi assim”, diz o macaco #1, liberando sua decepção em relação aos seus companheiros.

Apesar de toda falha do sistema econômico, acho que ele retrata todo instinto animal que temos. Aos poucos o homem mostra um visão mais compreensiva em relação ao próximo, e a competição tende a aparentar um fim. Não queria dar, de novo, o exemplo da água, mas será que no caso extremo de necessidade de um copo de água, as pessoas iriam ser compreensivas. “Ahhh, sim, claro, beba um pouco da água junto comigo meu amigo”. Não acredito nisso. A natureza apesar de sempre bonita é selvagem. A consciência que temos hoje, não compreende o primitivo, e o homem questiona seu principal paradigma, o instinto.

Acho que depois de tanta intimidade, posso deixar esse desfecho com ar de reticências pra você.

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